Bariátrica: os 30 primeiros dias da nova vida

Bariátrica: os primeiros dias de uma nova vida

Hoje completo exatos 30 dias de uma cirurgia que eu nunca imaginei que faria: a bariátrica. Sempre achei que somente casos muito extremos de obesidade estariam aptos a passar por esse procedimento o que, no fundo, quase nem era tanto o meu caso. E se você quiser saber de verdade o que rolou, se aconchegue aí, porque a história é longa (e possivelmente será dividida).

Tudo começou numa consulta pra renovar o exame admissional. O médico da empresa comentou que eu precisava perder alguns quilos, mais por garantia mesmo, já que um movimento que ele fez com a minha perna incomodou o final da coluna. Ele disse que isso podia ser um problema lá na frente, principalmente por conta do peso e começamos a conversar à respeito. Agora uma pausa: esse médico é o meu favorito da vida. Não só por ser “amigo” da galera, mas porque ele realmente para para conversar, ouvir e refletir sobre o problema. Se eu falo “estou me sentindo cansada essa semana”, ele já solta várias perguntas, para tentar entender se é cansaço, se é alimentação ou stress. É um médico real, que se importa mesmo!

Enfim, o papo seguiu sobre isso e, em determinado momento, eu perguntei da bariátrica. Conheço algumas pessoas que fizeram e resolvi jogar na mesa, para ver o que ele falava. O médico foi categórico quando me disse que, se fosse por estética, ele não me apoiaria, mas que se eu quisesse pensar à respeito e fosse realmente mudar de vida, então era uma opção. Ele fez o cálculo do IMC e foi aí que tudo ficou confuso: eu estava apta. Mas não eram só casos extremos?

Hoje em dia, pessoas com o IMC acima de 35 e com doenças pré-existentes (diabetes, colesterol, pressão alta…), já são aceitas. Sem doenças, o cálculo tem que chegar a, no mínimo, 40. E era ali que eu estava. E foi um choque. Quando o médico disse que eu conseguiria operar pelo plano de saúde, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi “o que eu fiz de errado?”. No fundo, a gente sabe onde está errando e, no meu caso, o refrigerante e a falta de exercícios me mantinha há anos no mesmo peso e isso precisava mudar. Mas eu conhecia muito bem o roteiro dessa história. Eu começaria a fazer exercícios, ia emagrecer uns 10kg, estagnar e desistir. Era um lugar cômodo pra mim, sempre com a ideia de que eu podia recomeçar quando desse vontade de novo.

Então eu precisava de algo duro e definitivo, alguma coisa que eu pudesse me apegar e pensar “se perder isso aqui, já era”. E assim, fui atrás da cirurgia.

 A primeira impressão da bariátrica

Quando saí da consulta, resolvi investigar. Primeiro me afastei de tudo que falava sobre bariátrica, pra pensar com carinho. Deixei de seguir nas redes sociais quem tinha feito e parar de ler tudo que podia me ligar a esse universo. Conversei com pessoas próximas, que conversaram com amigos/conhecidos e foram se informando, formando assim uma rede legal de acompanhamento. Aliás, o doutor fofo ali de cima também se dispôs a ajudar e minha prima, que também é médica, me deu a maior força.

Aqui eu abro um espaço para quem é esse grupo, que vai segurar na mão de quem vai operar: sejam empáticos e tenham real interesse em ajudar. Não julguem, não falem de forma grosseira sobre o assunto, não tragam casos que fulano engordou tudo de novo, nada! Se não tiver peito para acompanhar uma pessoa que vai passar pela bariátrica, fica na sua! Nós agradecemos!

Quando as coisas começaram a ficar mais claras, me pus a conversar com quem tinha feito. E foi assim, num papo no escritório, que cheguei ao Instituito de Medicina Sallet, em São Paulo. Marquei um horário e cheguei com um discurso humanitário, que explicava minha luta de mais de 20 anos para perder peso, meu mecanismo de funcionamento e como eu precisava dessa oportunidade. Não falei nada disso. O cirurgião que me atendeu falou um pouco da cirurgia, me deu umas 10 folhas de pedidos de exame, me pesou, conversou um pouquinho e era isso. O papo ficaria mais sério depois que eu levasse o resultado de toda investigação que ele pediu sobre minha saúde. E foi MUITA coisa!

Naquele momento, a primeira impressão que eu tive sobre a bariátrica foi: gente, as pessoas realmente fazem isso e em casos menos extremos do que eu esperava.

Os 30 primeiros dias da bariátrica

Vou resumir bem, porque só esse assunto dá um post inteiro. Mas posso afirmar que não foram dias fáceis. Óbvio que cada pessoa reage de um jeito, mas é uma cirurgia e, como qualquer outra, tem os pós e contras, principalmente no comecinho. O que posso dizer com certeza é que a bariátrica virou mesmo uma chave na minha cabeça e, como resultado, quase 13kg foram embora no primeiro mês. Eu entrei no centro cirúrgico pesando 118kg e estou hoje com 105,75kg, perdendo um pouco mais a cada dia. O médico não colocou uma meta, antes que me perguntem, mas eu estipulei que quero chegar aos 80kg. Tenho quase 1.70m de altura, então acho que é um peso legal, embora o IMC ainda vá me considerar uma pessoa obesa. Mas isso eu falo no próximo post.

Beijos,

Mari.

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